O diabetes é uma doença metabólica crônica caracterizada por níveis elevados de glicose (açúcar) no sangue.
Este problema resulta da incapacidade do organismo de produzir insulina de forma adequada ou de utilizá-la de maneira eficiente.

A insulina, um hormônio produzido pelo pâncreas, desempenha um papel crucial no controle da glicose no sangue, permitindo que esta seja transportada para as células e utilizada como fonte de energia.
Quando este mecanismo falha, a glicose se acumula na corrente sanguínea, causando uma série de complicações.
Dr Frederico Anselmo: Especialista no Tratamento do Diabetes

- Sou médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, no ano de 1998.
- Endocrinologista titulado pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – SBEM.
- Possuo também o título de Especialista em Terapia Intensiva, com titulação pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira – AMIB.
- Professor de Endocrinologia e Metabologia do curso de pós graduação em Urgência, Emergência e Terapia Intensiva da Faculdade Unimed.
- Com mais de 25 anos de formado, é um especialista com vasta experiencia no tratamento dos diabetes tipo 1 e 2, assim como de suas complicações.



Afinal, O Que É a Insulina
A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas, uma glândula presente no abdome, atrás do estômago.
Quando nos alimentamos, ingerimos nutrientes que nos dão energia para que possamos sobreviver e executar nossas tarefas do dia a dia.
A principal fonte de energia da nossa alimentação são os carboidratos. Uma parte desse nutriente, após ingerido, é transformado em glicose, que entra na corrente sanguínea e é distribuída por todo o organismo.
Para que a glicose seja transformada na energia que precisamos para viver, ela precisa entrar nas células (ex: células dos músculos, do fígado, do coração etc.).
Em algumas dessas células a glicose não consegue entrar sozinha! Ela precisa da ajuda de uma substancia que funcione como uma “chave”, abrindo “a porta” das células e permitindo que a glicose entre. Essa “chave” é a insulina!

Desta forma fica fácil entender que, quando não temos insulina no nosso organismo, ou quando a insulina não consegue agir de forma adequada, a glicose não consegue entrar nas células.
Quando isso acontece, a glicose se acumula no sangue. É essa condição que chamamos de Diabetes Melitus.
Entendendo os tipos de Diabetes

Os três principais tipos de diabetes são:
Diabetes Melitus Tipo 1 (DM1)
Anteriormente esse tipo de diabetes era denominado “Diabetes Juvenil”, pois acreditava-se que essa doença acometia quase que exclusivamente crianças e adolescentes.
Entretanto hoje, com o avanço dos conhecimentos científicos, sabemos que o DM1 realmente acomete mais frequentemente crianças e adolescentes, mas ele pode se manifestar também em adultos e até mesmo idosos.
De todos os pacientes com diagnóstico de diabetes, apenas algo em torno de 5% apresentam do DM1.
O DM1 é considerado uma doença autoimune. Isso significa que o sistema imunológico do paciente que tem o DM1 , em algum momento da vida, começa a funcionar de forma desordenada, atacando e destruindo as células que produzem insulina.
Com a destruição das células produtoras de insulina, esgota-se a capacidade do organismo em produzir esse hormônio.
Sem insulina, a glicose não consegue entrar nas células e acaba se acumulando no sangue, levando ao diabetes.
Note que nos casos de DM1 o organismo do paciente pára de produzir insulina. Sendo assim, a única forma de se tratar o DM1 de forma eficiente é administrando a insulina que o organismo não consegue produzir.
As manifestações clínicas do DM1 aparecem, na maioria das vezes, de forma rápida. No período de poucos dias, caso o diagnóstico não seja feito e o tratamento com insulina iniciado, o paciente pode precisar de internação hospitalar.

IMPORTANTE
Pacientes com diagnóstico de DM1 NUNCA devem interromper o uso da insulina! A interrupção do uso pode levar rapidamente a quadros muito graves, com real risco de vida!!
Juntamente ao uso da insulina, os pacientes com DM1 devem seguir uma dieta equilibrada, que ofereça os nutrientes necessários á manutenção da saúde e que facilitem o controle da glicemia ( níveis de glicose no sangue).
Muito importante para esses pacientes é também a atividade física regular, a qual facilita muito o controle da glicemia.
ATENÇÃO!!
A insulina só pode ser administrada por injeção! Pacientes portadores de DM1 não devem ser tratados com medicamentos por via oral
O DM1 é uma condição que NÃO TEM CURA! Mas com o tratamento adequado é possível evitar suas complicações e ter uma vida longa e saudável.
Diabetes Melitus Tipo 2 (DM2)
O DM2 é o tipo mais comum de diabetes, acometendo a quase 90% dos pacientes com o diagnóstico de diabetes.
É uma condição mais frequente em adultos e idosos, que está intimamente relacionada ao excesso de peso.
Estima-se que aproximadamente 80% dos pacientes com DM2 apresentem também sobrepeso ou obesidade.
O DM2 também fica mais frequente a medida que envelhecemos.
Além disso, a herança genética é importante nessa doença: filhos de pais com DM2 tem maior risco de desenvolver DM2 ao longo da vida.
Diferentemente do DM1, o DM2 não é uma doença autoimune. No DM2 não ocorre a destruição das células que produzem a insulina. Muito menos deficiência desse hormônio!
O que acontece no DM2 é que a insulina produzida pelo pâncreas já não consegue fazer o seu trabalho de forma eficiente, que é colocar a glicose dentro das células. Isso faz com que a glicose se acumule no sangue, causando o DM2.

O Que è a Resistência Insulínica (RI)?
O quadro de “Resistência Insulínica (RI)” refere-se a uma situação onde uma quantidade de insulina produzida pelo pâncreas já a não consegue colocar a quantidade de glicose para dentro da célula que conseguia antes.
Quando a RI aumenta, o pâncreas precisa produzir mais insulina pra que a glicose entre de forma adequada nas células.
Observe que, enquanto temos apenas uma resistência insulínica aumentada, o pâncreas tem que produzir mais insulina para controlar os níveis de glicose no sangue, mas a insulina ainda consegue fazer o seu trabalho.
Neste ponto, a glicemia ainda está dentro dos valores da normalidade!
Se a resistência insulínica aumentar demais e a insulina produzida pelo pâncreas já não conseguir controlar mais os níveis de glicose, a glicemia vai aumentar: aí se inicia o quadro do diabetes!!
Assim, o DM2 nada mais é do que uma continuidade de um quadro de RI aumentada que não foi adequadamente tratada.
Como Saber Se a Resistência Insulínica Está Aumentada?
A principal causa de RI aumentada é a obesidade, especialmente a obesidade visceral ( aquela localizada na barriga!)
Assim, todo paciente com sobrepeso ou obesidade, especialmente naqueles com acumulo de gordura na barriga tem um maior risco de ter sua RI aumentada.
Um sinal clinico altamente sugestivo de RI aumentada é a a Acantose Nigricans.
A Acantose Nigricans se caracteriza pelo aparecimento de manchas escuras e aveludadas na pele, geralmente em áreas de dobras como o pescoço, axilas e a virilha.

O Papel da Obesidade No DM2
O obesidade é a principal causa da RI aumentada. Consequentemente, a obesidade também é a principal causa do DM2.
O acúmulo de gordura no nosso organismo, especialmente a gordura que se acumula na barriga ( “Obesidade Visceral”) possui uma maior capacidade de se acumular nos músculos, no pâncreas e no fígado.
Quando isso acontece, esses órgãos apresentam uma piora na capacidade de responder a ação da insulina: inicia-se o quadro de resistência insulínica“.
Se a obesidade visceral continua ou, principalmente, se ela aumenta, essa resistência insulínica também aumenta, levando ao quadro de DM2.
ATENÇÃO!!
A perda de peso, especialmente as custas de perda da gordura visceral, é a forma mais eficaz e duradoura de se reduzir uma RI aumentada.
Alguns medicamentos também podem levar a essa redução. Entretanto, retirando-se a medicação, a RI geralmente retorna.
Apesar de ser uma doença que acomete mais frequentemente os adultos e os idosos, o diagnóstico do DM2 tem aumentado muito nas crianças e adolescentes.
Esse aumento esta diretamente relacionado ao também aumento da obesidade nessa faixa etária.
Quer saber mais sobre o Diabetes tipo 2? É só clicar no link abaixo:
https://www.endocrino.org.br/10-coisas-que-voce-precisa-saber-sobre-diabetes-tipo-2-2/
Diabetes Gestacional (DG)
Este tipo de diabetes ocorre durante a gravidez, quando alterações hormonais levam a um aumento na RI com consequente aumento na glicose no sangue materno.

A RI aumentada é uma alteração normal no organismo da mulher grávida.
Em mulheres que não desenvolvem o DG, o pâncreas consegue aumentar a produção de insulina e manter os níveis de glicose no sangue dentro dos valores normais.
Entretanto, em algumas mulheres, esse aumento na produção de insulina pelo pâncreas não é suficiente para controlar de forma adequada os níveis de glicemia, levando ao Diabetes Gestacional.
Como Faço o Diagnóstico do Diabetes Gestacional?
São os seguintes os critérios diagnósticos para DG:
- Glicemia de jejum entre 92 e 126 mg/dl em exames realizados em qualquer fase da gestação;
- Após o Teste Oral de Tolerância a Glicose – TOTG;
- Gicemia de jejum > 92 mg/dl
- Glicemia após 1h do teste > 180 mg/dl
- Glicemia após 2h do teste > 153 mg/dl
O Teste Oral de Tolerância à Glicose ( TOTG) consiste na ingestão de 75 g de glicose, em jejum. Mede-se a glicemia antes da ingestão da glicose ( jejum) 1 e 2h após a ingestão.
Toda mulher grávida, sem diagnóstico de diabetes ( seja DM1, DM2 ou DG) deve realizar o TOTG entre a 24 e 28ª semana de gestação. Este é o período de maior resistência insulínica durante a gestação.
Por que o DG é Perigoso?
O excesso de insulina produzido pelo pâncreas materno durante a gestação não altera o desenvolvimento do feto. Isso se deve ao fato de que a insulina não consegue atravessar a barreira que separa a mãe do feto.
Entretanto, caso ocorra DG, a glicose em excesso no corpo da mãe consegue ultrapassar essa barreira, chegando ao feto.
Uma maior oferta de glicose ofertada ao feto estimula o pâncreas fetal a produzir mais insulina.
Essa maior quantidade de insulina estimula o crescimento do feto, levando, na grande maioria dos vezes, a bebês muito grandes ( quadro denominado “Macrossomia Fetal”), com riscos para a mãe e para o bebê.
Além do risco de macrossomia fetal, o DG também pode levar a outras complicações:
- Devido ao tamanho aumentado do bebê, pode ocorrer lesões durante o parto, especialmente nos casos de partos normais.
- Risco de hipoglicemia (queda da glicose) no bebê após o nascimento: Isso se deve a grande quantidade de insulina no corpo do bebê, estimulada pelo excesso de açúcar do sangue materno.
- Maior risco de parto prematuro (antes de 37 semanas de gestação)
- Maior risco de elevação da pressão da mãe durante a gestação, quadro denominado “pré-eclâmpsia”.
Como Se Trata o DG
O DG pode se manifestar em graus diferentes de gravidade. Um fator de risco para maior gravidade do quadro é o ganho de peso excessivo durante a gestação.
Em casos leves, o controle pode ser feito apenas com dieta equilibrada e atividades físicas. Neste caso, é muito importante evitar a ingestão de carboidratos simples ( Ex. açúcar) e dar preferência para carboidratos complexos e integrais (Ex: Pão integral)
Em alguns casos, apenas a dieta pode não ser suficiente. Nestes casos devemos entrar com uma medicação para ajudar no controle da glicemia.
A medicação de escolha neste momento é a insulina.
Na grande maioria das vezes, mulheres grávidas não devem utilizar medicamentos via oral para tratar o DG.
IMPORTANTE
Apesar do carboidrato ser o principal responsável pela elevação da glicemia, a mulher gravida não pode reduzir muito a ingestão deste nutriente.
Isso porque o feto necessita de carboidrato para seu adequado desenvolvimento.
Sendo assim, é importante que a mulher com DG seja acompanhada pelo Endocrinologista e por um Nutricionista experiente no assunto.
A maioria das mulheres com diabetes gestacional voltam ao controle normal da glicemia após o parto, sem precisar de medicações.
Entretano, elas possuem maior risco de desenvolver diabetes tipo 2 ao longo da vida.

É importante frisarmos que esses tipos e diabetes relatados são os mais frequentes, mas não são os únicos. Existem outros tipos mais raros.
Causas e Fatores de Risco para o desenvolvimento do Diabetes
As causas do diabetes variam dependendo do tipo:
Estilo de vida: Uma vida sedentária, com uma alimentação não balanceada – ingestão aumentada de produtos ultra processados ( ex: refrigerantes, biscoitos recheados, bolos industrializados, etc…), frituras e alimentos muito calóricos – pode levar ao ganho de peso, ao aumento na RI e, consequentemente ao diabetes, especialmente ao DM2 e ao DG
Predisposição genética: desempenha um papel crítico, particularmente no diabetes tipo 2. No caso de pais com DM2, os filhos tem uma chance de 40 a 80% de desenvolverem a doença.
A participação da predisposição genética no diabetes tipo 1 é de menor importância, e vai depender da presença da doença nos pais e/ou irmãos:
- Se o pai é portador de DM1: o risco do filho(a) desenvolver a doença é de 5 a 10%
- Se a mãe é portadora de DM1: o risco para o filho(a) é de 2 a 5%
- Se ambos os pais são portadores de DM1: o risco para o filho(a) é de 25%
- Se há 1 irmão com DM1: o risco é de 5 a 10%
Doenças Autoimunes: Esse fator de risco é exclusivo para os casos de DM1. Pacientes que apresentam alguma outra doença autoimune ( ex: doença de Hashimoto, Doença de Graves, vitiligo, doença celíaca) possuem maior risco de desenvolver DM1 ao longo da vida.
Alterações Hormonais : O diabetes gestacional está relacionado às mudanças hormonais durante a gravidez.
Essas alterações hormonais são necessárias durante a gestação e, na maioria das gestantes, o organismo consegue compensá-las e controlar os níveis de açúcar no sangue.
Quando essa capacidade de compensação falha, aparece o diabetes gestacional.
Outras doenças que se caracterizam por produção excessiva de hormônios também podem levar a elevação da glicose no sangue. São elas:
- Síndrome ou Doença de Cushing: Caracteriza-se pela produção excessiva e desregulada de cortisol. O excesso de cortisol aumenta a resistência insulínica, podendo levar ao diabetes.
- Acromegalia: Doença que se caracteriza pela produção excessiva do Hormônio do Crescimento. Esse hormônio também aumenta a resistência insulínica, podendo levar ao diabetes.
Outros fatores de risco incluem idade avançada, histórico familiar e certas etnias, como afrodescendentes, latino-americanos e asiáticos.
Sinais e Sintomas do Diabetes
Os sintomas clássicos do diabetes incluem
Urinar frequentemente (poliúria): Uma parte do excesso de glicose que não conseguiu entrar nas células é excretada pelos rins. Isso faz com que uma maior quantidade de urina precise ser produzida.
A perda de água pela urina pode ser muito grande, piorando o quadro da sede.
Fique Atento !!
A presença de formigas próximas do vaso sanitário pode ser um sinal de Diabetes!
Isso ocorre devido ao fato de que a urina do paciente diabético não adequadamente tratado possui uma grande quantidade de glicose ( açúcar). Essa glicose atrai as formigas.
Fome excessiva (polifagia): Apesar do diabético ter muito açúcar no sangue, esse açúcar não consegue entrar na celula para ser transformado em energia.
Se o organismo não tem energia suficiente, a sensação de fome é ativada para que maior quantidade de alimento seja ingerida para repor a energia faltante.
Quanto mais o paciente come, mais a glicemia aumenta, piorando o quadro.
Perda de peso inexplicada: nos casos mais graves, quando os valores de glicemia estão muito elevados, especialmente se a quantidade de insulina no sangue estiver muito baixa, o organismo começa a utilizar a gordura e os músculos do nosso corpo para produzir a energia para a sobrevivência.
Essa perda de peso não é saudável, pois ocorre devido a uma desregulação grave do metabolismo.
Fadiga: A falta e energia leva à fadiga.
Visão embaçada: dentro dos nosso olhos temos estruturas transparentes que permitem a passagem da luz do ambiente onde estamos até a parte mais profunda do olho, onde a imagem do que vemos é captada.
Nos casos de glicemia muito elevada, essa transparência diminui, levando a visão embaçada vista nos quadros de glicemia muito alta.

Como Fazer o Diagnóstico do Diabetes?
O diagnóstico do diabetes tipo 1 e do tipo 2 é feito avaliando-se os sinais e sintomas característicos e por meio de exames de sangue. O diagnóstico do DG já foi explicado em sessão anterior
Medida da Glicemia de Jejum
Avalia o nível de glicose no sangue após 8 horas de jejum.
- Valor normal: até 99 mg/dl.
- Valores diagnósticos de pré-diabetes: 100 e 125 mg/dl
- Valores diagnósticos de diabetes: ≥ 126 mg/dl
Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG)
Avalia a resposta do corpo à ingestão de 75g de glicose. A medição da glicemia é feita 2h após a ingestão da glicose.
- Valores normais: até 140 mg/dl
- Valores diagnósticos de pré-diabetes: 141 a 199 mg/dl
- Valores diagnósticos de diabetes: ≥ 200 mg/dl
Hemoglobina Glicada (HbA1c)
Avalia a média dos níveis da glicemia nos últimos 3 meses.
- Valores normais: até 5,6%
- Valores diagnósticos de pré-diabetes: 5,7 a 6,4%
- Valores diagnósticos de diabetes: ≥ 6,5%
Os exames com os respectivos valores citados acima confirmam o diagnóstico de Diabetes, mas não diferenciam entre DM1 e DM2.
Essa diferenciação depende de dados clínicos do paciente, do exame físico e de exames mais específicos, como, por exemplo, avaliação de alguns anticorpos.
Essa definição deve ser feita por um Endocrinologista capacitado.
Afinal de Contas, o Pré-Diabetes Existe?
Sim! O Pré-Diabetes ( Pré-DM) existe.
Trata-se de um diagnóstico firmado apenas pelos valores da glicemia de jejum, da Hb glicada ou do TOTG.
Nem todo o caso de Pré-DM precisa de tratamento com medicamentos, mas ajustes na alimentação e atividade física regular são sempre indicados.
Tratamento e Manejo do Diabetes
O manejo do diabetes envolve diversas abordagens:
Dieta e Nutrição

- Uma alimentação equilibrada, rica em fibras e com controle de carboidratos, é crucial para manter os níveis de glicose estáveis.
- Todo o açúcar (ex: balas, doces, chocolates, bolos, refrigerantes, bebidas adoçadas etc…) deve ser evitado
- Deve-se limitar a ingestão carboidratos complexos ( Ex: farinha branca, farinha de mandioca, macarrão, pães).
– Não é necessário cortar esses alimentos da alimentação, e sim reduzir a quantidade ingerida.
-Uma dica interessante é evitar comer dois carboidratos na mesma refeição ( ex.: arroz com macarrão ; macarrão com farofa; batata com arroz, etc…)
- Sempre que possível, os carboidratos integrais são a melhor opção.
- As frutas podem ser ingeridas, mas de forma parcimoniosa. Lembrem-se que fruta também tem açúcar.
-Algumas frutas possuem maior quantidade de açúcar ( Ex,: uva, caqui, banana, laranja). Essas devem ser ingeridas em menor quantidade.
- Deve-se ter muito cuidado com suco de fruta.
-Geralmente, utiliza-se uma quantidade grande de fruta para fazer um copo de suco.
-Além do mais, esse suco pode ser coado, retirando partes da fruta que ajudam a evitar uma elevação muito rápida da glicemia
- O adequado manejo do diabetes, tanto o tipo 1 quanto o tipo 2 não é possível sem uma dieta equilibrada
Alimentos “Diet” podem ser ingeridos sem preocupações?
A denominação “Diet” significa que aquele produto não teve adição de açúcar na sua confecção.
Entretanto, a maioria dos alimentos diet possuem açúcar! Esse açúcar é proveniente dos componentes que entraram na receita ( ex: açúcar do leite no chocolate; açúcar da banana em um doce de banana)
Sendo assim, mesmo os doces diets não devem ser ingeridos em grande quantidade, devido ao risco de elevação da glicemia.
Uma das chaves para a correta alimentação do diabético é evitar os excessos.
Atividade Física
As atividades físicas podem ser classificadas como “aeróbicas” ou “resistidas”
Atividades físicas aeróbicas (ex: caminhada, natação, bicicleta) ajudam a melhorar a sensibilidade à insulina, no controle do peso e na redução do risco cardiovascular.

Os exercícios resistidos (ex.: musculação) têm sido cada vez mais reconhecidos como ótimas opções para os pacientes diabéticos, de preferência associados a atividades aeróbicas.
O ganho de musculo proporcionado por essas atividades reduz muito a resistência á insulina, ajudando na perda de peso e no controle da glicose, especialmente no DM2.

Recomenda-se o mínimo de 150 minutos de atividade moderada por semana. O ideal são 300 min de atividade física por semana.
Medicamentos
Medicamentos orais
São usados apenas no DM 2.

Nos últimos anos houve um aumento muito grande nas opções de tratamento para o diabetes tipo 2.
Temos hoje várias opções de medicamentos tomados por via oral que proporcionam um controle muito mais efetivo dos níveis de glicemia, além de ajudarem a prevenir as possíveis complicações da dieta
Cada medicação oral à venda hoje para o tratamento do diabetes tem suas indicações e efeitos colaterais específicos.
É muito importante que a escolha do tratamento do paciente diabético seja feita junto a um Endocrinologista capacitado para tal.
Insulina
Insulina é SEMPRE indicada para o tratamento do DM 1 e, em alguns casos, para o DM2.

Hoje contamos com insulinas mais modernas, que podem ser aplicadas apenas uma vez ao dia e que possuem um início de ação mais rápido e previsível.
Estamos esperando a chegada da insulina que poder ser aplicada apenas uma vez por semana. Os estudos estão adiantados.
ATENÇÃO!!!

A insulina é um dos tratamentos para o diabetes que pode causar hipoglicemia.
A hipoglicemia é um quadro onde os valores da glicose no sangue caem abaixo de 70 mg/dl.
Os paciente com hipoglicemia podem sentir:
- Fome excessiva
- Suor frio
- Tremores
- Falta de energia
- Irritabilidade
- Sonolência
- Alteração de comportamento
A hipoglicemia pode ser grave, inclusive colocando em risco a vida do paciente.
Valores muito baixos de glicose no sangue podem levar a desmaios e convulsões, com o risco de lesões graves no cérebro.
Além disso, quadros de hipoglicemia, especialmente aqueles que acontecem durante as madrugadas, apresentam um maior risco de causarem arritmias cardíacas e infarto agudo do miocárdio.
Dica Valiosa!!
A hipoglicemia pode se manifestar de varias formas diferentes.
Quando um paciente usuário de insulina se sente mal, seja qual for o problema, é sempre importante realizar o exame para afastar um quadro de hipoglicemia.
O que Devo Fazer se Eu Apresentar um Quadro De Hipoglicemia?
Identificado um quadro de hipoglicemia, a ingestão de uma quantidade definida de açúcar se faz necessária.
A recomendação é seguir a “regra dos 15”.
Ingestão de 15g de açúcar.
Existem suplementos para diabéticos que ja contem essa quantidade de glicose e podem ser levados com os pacientes. Caso você não tenha acesso a esses produtos, você pode ingerir:
- 150 ml de refrigerante comum
- 150 ml de suco de laranja ou de melancia
- 01 colher se sopa de açúcar diluída em meio copo de água
Após 15 min da ingestão do açúcar >> devemos repetir a dosagem da glicemia.
Se o valor estiver acima de 70 mg/dl significa que o quadro foi resolvido.
Se ainda estiver abaixo de 70mg/dl, todo o procedimento deve ser repetido.
CUIDADO!!
Os quadro de hipoglicemia geralmente vem acompanhando de uma fome excessiva. A vontade do paciente é de comer grandes quantidades de alimentos.
Isso deve ser evitado! A ingestão exagerada de alimentos pode causar uma elevação abrupta e muito forte da glicemia, dificultando o controle do Diabetes.
O acompanhamento endocrinológico e a adesão ao tratamento do diabetes são fundamentais para evitarmos essa situação.
Monitorização Regular da Glicemia

- A monitorização regular dos níveis de glicose no sangue permite ajustes no tratamento e na dieta
- Essa monitorização é feita com aparelhos denominados glicosímetros.
- É necessária uma picada com uma agulha e a retirada de uma gota de sangue em um dos dedos das mão. Essa gota é colocada em uma fita acoplada ao glicosímetro.
- A monitorização regular da glicemia é mandatória nos pacientes portadores de diabetes tipo 1.
- Nestes pacientes, são indicados de 6 a 8 verificações da glicose ao dia, sempre em horários pré-determinados.
- Atualmente, temos a opção do uso de dispositivos de monitorização contínua da glicose, que facilita muito o processo de automonitorização, dispensando as várias picadas diárias nos dedos.
- Nos pacientes portadores de diabetes tipo 2, a automonitorização pode não ser necessária, e quando o é, pode ser com menor frequência ou por um tempo determinado.
Educação e Suporte
- Participar de programas de educação em diabetes capacita os pacientes a entenderem e gerirem melhor sua condição.
- Por se tratar de uma doença crônica e com características únicas em cada paciente, é fundamental que o diabético aprenda a conhecer e lidar com a sua doença, ajustando a alimentação e a atividade física de acordo com as suas características.

Prevenção
Embora o diabetes tipo 1 não possa ser prevenido, o tipo 2 pode ser evitado ou atrasado com mudanças no estilo de vida:
- Manter um peso saudável.
- Praticar exercícios regularmente.
- Adotar uma dieta rica em vegetais, frutas e grãos integrais.
- Evitar o consumo de álcool e o tabagismo.

Possíveis Complicações do Diabetes
Os níveis elevados de glicose no sangue, caso persistam por um longo período, podem levar ao mau funcionamento de vários órgãos. Essas alterações estão relacionadas:
- Aos valores da glicemia: quanto mais elevados, mas rápidas e mais graves podem ser essas alterações.
- Ao tempo de persistência: Quanto maior o tempo que o nosso organismo mantem contato com os altos níveis de glicemia, maior a chance de desenvolvimento de lesões.
- A presença de outras doenças ou de hábitos que aceleram o aparecimento das lesões: doenças como a pressão alta e o colesterol alto, assim como o habito de fumar aumentam a chance de lesões causadas pelo diabetes.
Quais Lesões o Diabetes Pode Causar?
- Nefropatia Diabética: caracteriza-se pela lesão nos rins dos pacientes diabéticos que não controlam adequadamente os níveis de glicemia.
- A presença de pressão alta pode acelerar o aparecimento dessa lesão.
- Na maioria ds casos, a lesão se inicia com a perda de proteina pela urina, o que pode ser identificado por um exame de urina especifico. Se não adequadamente tratado, o funcionamento do rim vai reduzindo progressivamente.
- Nos casos de parada de funcionamento dos rins, o paciente precisará de ser submetido ao tratamento de hemodiálise ou a um transplante renal.
- Retinopatia Diabética: caracteriza-se pela lesão nos olhos dos pacientes diabéticos que não controlam adequadamente os níveis de glicemia.
- A lesão ocorre mais comumente retina, a parte mais profunda dos olhos, onde a luz que entra no olho é absorvida para formar a imagens que vemos.
- A glicemia persistentemente elevada leva a varias lesões nos vasos da retina, podendo, em casos graves, causar a perda completa da visão.
- Neuropatia Diabética: caracteriza-se pela lesão nos nervos dos pacientes diabéticos que não controlam adequadamente os níveis de glicemia.
- Os nervos acometidos podem estar em qualquer parte do corpo.
- Um dos quadros que mais afeta esses pacientes é o comprometimento dos nervos das pernas. Esse comprometimento pode levar a sensação de dor, queimação e formigamentos, especialmente durante o período da noite.
- Nos casos graves, pode-se observar consequências importantes aos pacientes.

o diabetes pode aumenta ainda os risco de lesão nos vasos de todo o corpo, com maior risco de eventos cardiovasculares, como infarto e derrame.
A associação de lesões dos vasos com as lesões dos nervos aumentam o risco de lesões e amputação, especialmente nos pés e pernas.
O uso de cigarros aumenta ainda mais esse risco. Um exemplo que podemos citar dessas lesões é o quadro do “Pé Diabético”
Inovações no Tratamento do Diabetes
A pesquisa sobre diabetes continua avançando, trazendo novas esperanças:
- Terapias com Células-Tronco: Estão sendo investigadas como uma potencial cura para o tipo 1.
- Medicamentos imunossupressores: estudos recentes conseguiram atrasar o início do diabetes tipo 1 quando foi administrado medicações imunoreguladoras antes do desenvolvimento da doença.
- Dispositivos Avançados: Monitores contínuos de glicose e bombas de insulina simplificam o gerenciamento da doença.
- Medicações de Nova Geração: Incluem drogas que ajudam a reduzir o peso e controlar os níveis de glicose simultaneamente. São medicações para tratamento do diabetes tipo 2.
Impacto do Diabetes na Sociedade
O diabetes, particularmente o diabetes tipo 2, é uma epidemia global, afetando mais de 500 milhões de pessoas em todo o mundo.
Além das implicações para a saúde, a doença representa um enorme fardo econômico devido aos custos de tratamento e às complicações associadas.
Governos e organizações de saúde trabalham para aumentar a conscientização e melhorar o acesso a cuidados de qualidade.